7 de junho de 2013

"Aprendi"

Aprendi


Aprendi a lutar pela vida, quando ainda era apenas uma célula masculina, numa corrida para eliminar outros milhões, sendo o único a alcançar a célula feminina, que atraia a uma fecundação.
Lá chegando e, conseguindo o objetivo, aprendi que ganharia corpo e alma, quais demandariam certo tempo, até que um ser feminino me oferecesse à luz e, que tempo é de valor inestimável, qual não devemos perdê-lo, pois não será reavido jamais, sendo este o único bem distribuído igualitariamente a todos.


Ganhando a luz, aprendi com minha mãe, que pra sobreviver, teria que sugar meu próprio alimento e, que dependeria, por um período, de seus cuidados.
Com ela aprendi também o valor do amor, do carinho, da dedicação, do porto seguro , a falar, a andar, ter confiança , que existe um Ser Superior, que chamamos de Deus, a quem devemos pedir o que quisermos e, que no tempo Dele, pela Sua justiça, se entender que merecemos nos será concedido e, quando conseguirmos, jamais podemos deixar de agradecer. E ainda, que iríamos nos separar um dia, mas que durante minha jornada deveria ter duas companheiras inseparáveis, as quais me apresentou pelos nomes de fé e esperança e, que quando necessitasse, poderia usar e abusar de ambas.


Aprendi, com meu pai, a obediência, a força, o trabalho, que a caminhada seria longa , que um homem não deve chorar desnecessariamente, mas pode de quando em vez, ainda a torcer pelo Atlético, que deveria buscar, por minha conta e risco, novas conquistas, mas se tivesse necessidade ele estaria presente e, complementando as companheiras de minha mãe, ensinou-me que a liberdade e ética jamais me fariam mal algum.
Também com ele aprendi alguns legados: que primeiro tiramos a carteira de motorista, depois aprendemos a dirigir, “de que honra e honestidade não necessita de vigilância”, que um “pai cria dez filhos, mas a recíproca não é verdadeira” e ainda que a humildade é uma das maiores da virtudes do ser humano.


Com meus irmãos, aprendi o valor da amizade, que ela está da porta pra dentro de nossa casa, da compreensão, da harmonia, da partilha, que ajuda é uma via de mão dupla, que às vezes estamos indo, noutras estamos voltando, que reuniões são necessárias, mesmo que seja apenas pra não deixar a saudade crescer, que medo é uma coisa plantada, mas de certa forma é bom, porque nos coloca em modo de alerta, que Papai Noel e coelho da Páscoa não existem, mas devemos sempre criar imaginações e, ainda que o silêncio é sábio, às vezes dizendo mais que muitas palavras, principalmente em ocasiões que “não devemos ser bravos, bastando apenas sermos inteligentes”.


Com os professores aprendi a ler, a escrever, a fazer cálculos e que talvez pudesse perder muita coisa durante a caminhada, mas nunca o conhecimento adquirido.

Aprendi com minha mulher que o amor tem novas fases, inclusive que é acompanhado de outros sentimentos, como por exemplo: o ciúme, o valor do perdão, que sexo prazeroso é feito com respeito e cumplicidade e mais, que virgindade  e confiança só se perdem uma vez e, uma vez perdidas, pode até se fazer de contas, mas jamais se recuperam e também, que necessitamos de doação e entrega em busca da comum união, onde dois vira um e que depois se multiplica.

Com meus filhos aprendi que sou importante, que tenho uma missão, que a vida renasce, a força se renova, que o amor deve ser regado, que exemplos devem ser deixados, que histórias necessitam ser contadas, que conversas são essenciais, que aquelas células masculinas e femininas constituem a posteridade e, que felicidade é uma questão de momento, onde na linha da rotina oferece seus picos, então quando acontecer, que seja intensa e extensivamente.

Aprendi que no trabalho devemos ser competentes, mas cautelosos e com reservas, pois somos ladeados de companheiros e não conhecemos a fragilidade da mente humana, que podemos simplificar nosso cotidiano, sendo apenas transparentes e que, em quando houver um questionamento, você tem apenas duas respostas, ou é sim ou é não e ainda, que paciência é uma virtude que poucas pessoas tiveram a graça de receber, e mais, que o valor do dinheiro é limitado a cada necessidade, bastando a você definir qual é, pois seu excesso vira ambição voltada a um poder, o que gerará mais ambição, onde podemos perder o seu controle, podendo não conseguir “servirmos a dois senhores”.

Por fim aprendi que o novo sempre vem, para um ciclo constante de gerações e, que o velho tem apenas uma verdade absoluta:
- de que deixará de ser corpo para voltar a ser simplesmente alma!

Aprendi...

Amem.

Amém.


Antônio de Pádua Elias de Sousa
                    07/04/13