2 de setembro de 2015

"Do berço ao zoológico"

Do berço ao zoológico


                                   É muito comum, ouvirmos as pessoas se referirem a quem é descendente de família rica como:
                                   - “Esse nasceu em berço de ouro”.

                                   E crítica, em tom de zombaria, àqueles que têm pouca instrução:
                                   -“Educação vem de berço”.

                                   Vejam, portanto que, via de regra, dinheiro além do berço, compra também educação, no seu sentido escolar, ou seja, ensino acadêmico.

                                   E temos também aqueles, que não tendo o tal dinheiro, adquiriram a educação por herança, sendo esta uma sucessão de seus avós e pais, sendo que muitas vezes, não são acadêmicas, apenas institucional.

                                    Contudo, tem um ditado que diz:
                                   -“Toda regra tem exceção”.

                                   Assim a vida me ensinou que não importa o berço, se de ouro, ou de capim, ela sempre nos apresentará gente boa ou ruim, com ou sem educação, letrada ou iletrada, com ou sem caráter, mas teremos de conviver e discernir quem é qual.

                                   Muitos nascem e passam a vida toda, ou parte dela, numa casinha simples, andando de um curral para um chiqueiro, tendo entre eles um galinheiro, para ganhar o alimento, em sacrifício e labuta, no entanto são exemplos de ensinamento, de postura e conduta.

                                   Já outros, nascido em mansões, em vida de luxo e ostentações, desconhecem o respeito humano, fazendo do ter o seu valer, sendo verdadeiros tiranos, atribuindo valor ao poder.

                                   Mas desde que o mundo é mundo, convivemos inicialmente, entre animais domésticos, ou seja, bois, porcos, galos, ovelhas, cabras, cachorros, gatos e pássaros. Estes são de bom relacionamento, às vezes se irritam, mas também pudera, é fruto do tratamento recebido, sendo este via de mão dupla.

                                   Mais tarde, em nosso cotidiano, aprendemos que existe um grande zoológico a desvendar, onde nos defrontaremos com leões e tigres, espécies que ficam na espreita, usam da força e do poder, para tentar nos dominar, esperando a hora de dar o bote, a fim de eliminar-nos, seja pra saciar a fome, ou por diversão, então temos de nos tornar hábeis, para enfrentá-los dia a dia.

                                   Aparecem raposas, lobos e coiotes, de hábitos noturnos, sorrateiros, que usam da esperteza para atacar. Logo, todo cuidado é pouco, portanto, é sempre bom e aconselhável ficarmos vigilantes para não sermos surpreendidos.

                                   Vêm também as hienas, risonhas, mas carniceiras, como os abutres e urubus, que esperam o desfecho da situação, para fazerem suas festas particulares. Estes gostam de coisas ruins e ficam na vigília apenas buscando as sobras para se deliciarem.

                                   Temos também os macacos, astutos, brincalhões, mas num momento de descuido, lhe tiram algo importante, sem o menor constrangimento ou sentimento de culpa. Vigaristas estão sempre trapaceando com o alheio, tentando tirar algum proveito.

                                   Encontramos os elefantes e hipopótamos, que usam do seu tamanho, peso e força, pra passar por cima de qualquer um, sem senso moral, ético e com muita arrogância. Assim ficar à distância é uma boa estratégia para não nos machucarmos.

                                   Nos deparamos com veados e gazelas, que apesar da aparência pacata e resguardada, são capazes de atingir-nos com coices e chifradas, sem o menor pudor. Um senso de cautela é prudente, com fins a evitarmos decepções.

                                   Vimos ainda as preguiças, que de bobas não têm nada, pelo contrário, fingem que dormem, mas na primeira oportunidade que tiverem, nos atacarão com suas unhas longas e cortantes e dentes afiados.

                                   Conhecemos também as girafas, que com seus pescoços longos, estão de olhos e ouvidos atentos e ao menor sinal presença, estão prontas aos coices e cabeçadas. Como são desproporcionais, é bom prestarmos bastante atenção também aos seus movimentos.

                                   E por fim as cobras, o pior dentre os animais, que como todos os bichos peçonhentos, nunca são confiáveis e estão sempre prontos ao ataque, sendo estes notoriamente na surdina, ou seja, ocultamente, sem que percebamos seus atos, pois são traiçoeiras e maliciosas por natureza,  jamais demonstram algum arrependimento e quando irão atacar. Sendo estes ataques, muitas vezes mortais, caso não tenhamos os antídotos para o combate, é prudente a vigilância e atenção redobradas.

                                   Então do berço ao zoológico vamos passando pela vida, conhecendo diversos animais e como, na sua maioria, não somos capazes de prendê-los, sendo inclusive proibido por lei suas caças, é bom e aconselhável aprender a conviver com eles, para não sermos surpreendidos e decepcionarmos com atitudes predadoras e instintivas.

                                   Se vale como conselho: “não necessitamos ser bravos, quando nos basta apenas ser inteligentes”.



          Antônio de Pádua Elias de Sousa
                            01/09/15